Entre mudanças e desafios: a importância da aprendizagem ao longo da vida

Referências bibliográficas:

Cedefop. (n.d.). Lifelong learning. Cedefop.

Conselho da União Europeia. (2012). Recomendação do Conselho, de 20 de dezembro de 2012, sobre a validação da aprendizagem não formal e informal.

OECD. (n.d.). Adult skills and work. Organisation for Economic Co-operation and Development.

OECD. (n.d./b). Changing skill needs in the labour market. Organisation for Economic Co-operation and Development.

UNESCO. (2025, February 13). What you need to know about lifelong learning. UNESCO.

A aprendizagem ao longo da vida assume, na atualidade, um papel central no desenvolvimento humano, social e profissional, sobretudo num contexto marcado pela aceleração da mudança e pela crescente complexidade das dinâmicas económicas, tecnológicas e culturais. Este conceito sustenta a ideia de que a aprendizagem não se esgota na educação inicial, nem se limita aos contextos escolares formais, constituindo antes um processo contínuo, transversal às diferentes fases do ciclo de vida e aos múltiplos contextos de experiência dos indivíduos. De acordo com o Cedefop, a aprendizagem ao longo da vida abrange todas as atividades de aprendizagem desenvolvidas em contextos formais, não formais e informais, com o propósito de promover o desenvolvimento de conhecimentos, aptidões, competências e qualificações por razões de natureza pessoal, cívica, social ou profissional (Cedefop, n.d.; UNESCO, 2025).

Num cenário caracterizado pela transformação permanente das estruturas sociais e produtivas, a aprendizagem contínua revela-se indispensável para garantir uma participação plena, crítica e eficaz na sociedade. As exigências do mercado de trabalho têm vindo a tornar-se progressivamente mais complexas, em resultado da inovação tecnológica, da digitalização, da globalização e da reconfiguração das profissões, circunstâncias que impõem uma atualização constante das competências individuais. A este propósito, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico tem destacado a existência de alterações significativas nas competências exigidas pelos mercados de trabalho, bem como de carências em vários setores profissionais, o que reforça a necessidade de investimento contínuo na qualificação e requalificação dos indivíduos (OECD, n.d.; OECD, n.d./b). Assim, a aprendizagem ao longo da vida não se configura apenas como uma estratégia de reforço da empregabilidade, mas também como uma condição essencial para o desenvolvimento da capacidade de adaptação, da autonomia e da aptidão para responder a desafios emergentes.

Neste enquadramento, importa reconhecer a natureza complementar das aprendizagens formais, não formais e informais.

A articulação entre estas três modalidades de aprendizagem revela-se, assim, fundamental para responder de forma abrangente e eficaz às exigências de uma sociedade em permanente transformação. Atualmente, já não basta possuir uma formação inicial sólida; torna-se igualmente necessário desenvolver a capacidade de aprender de forma contínua, de reformular conhecimentos previamente adquiridos e de mobilizar novas competências em função das transformações sociais, profissionais e pessoais. A aprendizagem ao longo da vida configura-se, deste modo, como um imperativo de cidadania e de desenvolvimento, na medida em que promove não apenas a inserção e progressão no mercado de trabalho, mas também a participação cívica, a inclusão social e a realização pessoal.

Em síntese, a aprendizagem ao longo da vida constitui uma condição indispensável para a construção de percursos sustentáveis de desenvolvimento individual e coletivo. As aprendizagens formais proporcionam estrutura, sistematização e certificação; as não formais asseguram flexibilidade e atualização; e as informais garantem continuidade e significado às experiências vividas. A valorização integrada destas três dimensões permite aos indivíduos responder de forma mais eficaz às exigências do mercado de trabalho, aos desafios pessoais e às transformações sociais, reforçando a sua capacidade de intervenção num mundo marcado pela incerteza e pela mudança permanente (UNESCO, 2025; Cedefop, n.d.; Conselho da União Europeia, 2012).

Joana Costa

Investigadora no CIEd – Centro de Investigação em Educação | Universidade do Minho

Campus de Gualtar 4710-057 Braga, Portugal

Doutoranda em Ciências da Educação, especialidade em Sociologia da Educação e Política Educativa